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Diàrio Recôndito e Poesia
O Jornal das Palavras - Fundado em 10/10/2017.
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23/03/2018 09h25
VIAJANDO NA POESIA – 23 DE MARÇO


Valmir Vilmar de Sousa - vevesousa1958@gmail.com


23 DE MARÇO


 

Este é um dia especial, pois numa terça-feira de 23 de março de 1920, nascia um ser muito especial que me daria a oportunidade de renascer nesta cidade que também aniversaria com seus 344 anos de idade que por um simples decreto envelheceu 53 anos, já viram isto? Alguém envelhecer 53 anos num passe de mágica? Pois é, nossa Florianópolis de cantos e encantos onde tudo é possível aqui acontecer. Ilha da moça faceira da velha rendeira como bem poetizou o mestre Zininho acerca desta cidade.

Este ser chamada Domingas me carregou durante nove meses em seu ventre com muito esmero, amor e orgulho, orgulho de ter parido mais um, afinal oito me antecederam, sendo que alguns ficaram no caminho, cumpriram um breve pit-stop neste planeta, outros continuaram sua caminhada estando entre nós mais quatro, pois a vida é feita de idas e vindas, como um trem que vai parando em cada estação para que alguns passageiros desçam outros subam em seus vagões para continuarem seu percurso. E nesta viagem se observa paisagens das mais variadas tonalidades, formas e tamanhos. Alguns conseguem ver mais além algo que o outro não observou, outros conseguem ouvir um cantar dos pássaros, outros o som da cachoeira, outros o bailar das águas do rio e do mar. Alguns observam as cores do arco-íris, outros uma rosa no jardim e assim vamos vivenciando nossa experiência, nossas expectativas. Eu tenho muito a agradecer a este ser que me pariu. Seu exemplo de honestidade, seriedade, moral e muito amor dentro de sua capacidade de entendimento. Paulo nos diz em um de seus escritos: quando eu era criança pensava como criança, agora sou adulto penso como adulto. Quando criança pensava como tal, questionava, me aborrecia, me revoltava, hoje na maturidade vejo o quanto fui injusto em me atrever a questioná-la. Aprendemos com a vida, as experiências nos levam a mudar conceitos e banir preconceitos e hoje aqui estou fazendo uma humilde homenagem e revendo lembranças de um tempo que não volta mais, no entanto está gravado em nossa memória para não serem esquecidas.

Não devemos esquecer nossas origens açorianas de uma cidade que transformou-se numa pequena metrópole comparando com a velha Desterro de tempos idos. De uma Desterro desterrada por Floriano Peixoto que neste solo dizimou vidas numa Anhatomirim dominada pelo ódio do opressor. Pequena ilha do diabo, seu significado em língua Tupi, justificam as crueldades cometidas pelos algozes da época? Nossa Desterro não merecia isto, e por ironia do destino seu nome é trocado para reverenciar o opressor. Esta ilha durante o dia se ilumina pelo astro rei sol, porém a noite ela fica mais linda quando a lua se faz presente acompanhada de suas bruxas e boitatás com a regência do velho bruxo Franklin Cascaes.

Quando criança minha mãe falava em bruxas eu me arrepiava de medo sem ter noção do que significava toda esta estória de bruxa e lobisomem. Era conversa de gente velha para meter medo nas crianças. Com o tempo fui entendendo o que representava esta conversa no meu tempo de criança. Hoje guardo recordações do boi de mamão do Abraão, das cantigas de terno de reis, da visita da pomba do espírito santo na minha casa onde minha mãe beijava a pomba e as fitas forçando nós a repetirem o gesto.

Isto é Florianópolis, esta é minha mãe, aniversariantes deste dia 23 de março.

Obrigado minha eterna mãe pela oportunidade de me receber de braços abertos com muito amor e carinho, obrigado Florianópolis por me acolher em teu solo fazendo de mim um manezinho orgulhoso de sua cidade, de sua cultura muito rica.

Parabéns a todos nós que nascemos neste pedaço de chão.


Coluna escrita as Sextas-feiras.


Publicado por Diário Recôndito e Poesia em 23/03/2018 às 09h25
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