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27/04/2018 07h00
VIAJANDO NA POESIA – O CONTO DO VIGÁRIO

 


Valmir Vilmar de Sousa - vevesousa1958@gmail.com


O CONTO DO VIGÁRIO


Num entardecer, dois conhecidos se encontram na praça da igreja para colocarem a conversa em dia. Como de praxe ambos perguntam como estão indo suas vidas, se casaram, se tem filhos etc.... João responde para o Mané que está tudo bem. A vida vai fluindo do jeito que ele determinou. Os negócios vão de vento em popa, os cifrões aumentando cada vez mais em sua conta bancária, a mulher está ótima, os filhos bem criados, tudo na mais perfeita ordem. Por outro lado, Mané diz que sua vida não está nada bem. Sua empresa entrou em falência, a esposa se foi sem deixar rastro algum, o que deixa em evidência seu sofrimento. Ainda bem que não tiveram filhos, do contrário as preocupações seriam maiores. João vendo todo o desespero do colega pensa em uma forma mais plausível de ajudar aquele ser que se encontrava totalmente perdido. Pensou uma vez, outra vez, mas não expressou ao Mané o que passava por sua cabeça naquele momento. Despediram-se e cada um foi para sua casa. João foi de carro e Mané de ônibus. No trajeto de sua casa, João em seu carro predileto, bebeu uma água mineral guardada no porta-luvas do carro, colocando sua mente a funcionar, fazia uma reflexão acerca da vida. Os momentos prazerosos em família, na roda de amigos, na pulada de cerca com a secretária e tantos outros impossíveis de ser recordado com tanta facilidade, o importante era sentir-se feliz e realizado. Por outro lado, o Mané sentado no banco dos fundos do ônibus lotado, com a garganta seca se revoltava com sua nova realidade social. Questionava-se porque estar em tal situação, pois nunca se vira desta forma, nunca pensara de estar um dia nesta situação aflitiva o qual ele sofria em demasia. Já pensara em dar um basta a tudo, mas a sua consciência não permitia tal atitude, o jeito era ir tocando em frente. Mas até quando? Até quando? Gesticulava ele em devaneios durante o percurso até sua casa simples. Porque alguns têm sorte outros não tem, questionava ele. Fui um rei, hoje sou um plebeu. O tempo passou para os dois num médio espaço de tempo sem se encontrarem. Até que um belo dia, João ao estacionar seu carro na mesma praça do último encontro avista Mané sentado no banco a sorrir. Aproxima-se de Mané, apertam as mãos e repetem aquelas perguntas triviais de quando se encontram duas pessoas. Pergunta aqui, resposta ali e João interroga o Mané a despeito de seu sorriso largo, bem diferente do encontro anterior, onde ele, João, sentiu-se preocupado pelo comportamento do colega. Mané responde que a vida está dando uma guinada, os ventos estão soprando a seu favor, na cabeça tem mil projetos inclusive tem uma proposta a fazer para ele. João sentiu-se empolgado se interessando pela proposta. Afinal quem estava numa situação precária, hoje já está falando em negócios, quis saber qual era a tal proposta. Mané confessa a João que está trabalhando com arte, mudou totalmente sua área de trabalho, começou a pintar quadros. João retruca, pintando quadros? Desde quando pintas alguma coisa? Sem muita delonga, Mané fala que durante este tempo pensou no que fazer para sobreviver, como sentia uma certa queda por pintura resolveu matricular-se num atelier de um amigo dos tempos do primário, amigo este, com seu nome entre os melhores pintores da região, inclusive com exposições no exterior. Nos tempos de vacas gordas, Mané teria prestado uma ajuda relevante a este amigo, ficando este em dívida com o Mané. Em forma de agradecimento ele ofereceu um curso gratuito para que Mané desenvolvesse sua aptidão para pintura. Após todo este breve relato, Mané apresenta a proposta de negociarem seus quadros, já que o João é uma pessoa influente com amigos em toda esfera social. João pensa, pensa, e diz ser possível esta parceria, no entanto Mané tem de pintar um quadro especial para que ele possa avaliar se é possível seguir em frente neste projeto. Trato feito, acordo selado.  João sente-se empolgado adiantando um valor expressivo para a compra de materiais como parte do pagamento do trabalho a ser realizado pelo Mané. O tempo passou, passou, passou, e coincidentemente não se encontraram mais na praça. O João insiste em se questionar, caí no conto do Vigário?


Coluna escrita as Sextas-feiras.


Publicado por Diário Recôndito e Poesia em 27/04/2018 às 07h00
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